"Porque quando ela olha pelo mar, imagina coisas que nem ela mesma consegue decifrar… Imagina gostos, cheiros, música e um beijo pra quebrar a maldição, da princesa na torre. Ela se arrisca pela beirada daquela imensidão azul, e afunda seus pés na areia, sentindo as ondas baterem em suas pernas, cada vez mais. E fica lá. Pensando, pensando. Coisas indecifráveis. Pensa ouvir um violão… Mas é apenas o som das gaivotas, em sintonia, umas com as outras. “Precisamos aprender a perceber coisas imperceptíveis”, pensou ela. Como o violão nas vozes das gavotas. Ou talvez, como um pequenino peixe deixavam um rastro de brilho, por onde passava. Ela reparava em tudo. Tudo emitia luz, emitia música, emitia sentimento. Depois de desvendar o mar, ela está submersa. Submersa tanto na água, quanto em seus devaneios. Ela está se afogando em si, nas suas visões insanas, na maré. Ela é invisível, ao mar, aos olhos da vida, ao coração de quem ama. Ela é apenas alguém, submersa em águas desconhecidas, nela mesma."